Estava em um elevador cheio e podre e isso me inspirou a escrever um conto….

  O elevador estava com um cheiro familiar. Poderia ser o cheiro putrefato dos cadáveres antigos, poderia ser o odor nauseabundo advindo das bocas que ficaram horas sem serem polidas pelo poder refrescante de  um bom creme dental, só sei que quase morri com o fedor que imperava naquele minúsculo recinto.

  Me arrependi de não ter descido os quarenta andares do prédio pelas escadas- mas a correria do dia-a-dia não me permitia tal luxo-, queria que meu tormento acabasse logo- mas os malditos quasímodos que habitavam no prédio não paravam de apertar o maldito botãozinho que chama a máquina, mas ninguém entrava na cabine-; contei o tempo igual a uma pessoa em estágio terminal- queria sair! Mas tinha que estar no térreo rapidamente!

  Faltavam 5 andares e meu nariz ardia, meus olhos lacrimejavam e meu pânico aumentava. Minha apnéia dolorosa estava chegando ao fim. Ao chegar no térreo, muitas pessoas se preparavam para entrar no elevador, eu parti da câmara de tortura em que me encontrava para respirar o puro ar recheado do monóxido de carbono que vinha da rodoviária próxima e do delicioso cheiro de óleo queimado que vinha do boteco da tia Xica.

  As pessoas que entraram no elevador logo sentiram o pavoroso cheiro e meio atordoadas, procuraram o “terrorista” que tinha causado tal agrura para assim, isolá-lo e discriminá-lo para sempre. Obviamente que fingi não saber do que se passava e saí do prédio muito feliz em direção às delícias de cheiros que se escondiam naquela cidade, em reparação aos tristes momentos que passei minutos antes.

~ por diegodias em Março 7, 2008.

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